domingo, 12 de abril de 2009

You. Wish.

As bailarinas rodopiam enquanto a música sobe mais alto e os folhos das saias formam cores em seu redor. Não há nada que as faça parar, porque a música sai da Natureza e inspira-lhes o ser com mais vigor do que as rajadas de vento nos ramos prematuros. A combatente arrancou o coração para que nunca mais lho possam ferir e regressa, pela mão do Corvo, à fogueira que cintila ardentemente. Junto da luz, Olivia aprecia o brilho das botas que a tornam mais fortes, esperando o nascer do dia. E nas sombras, o guerreiro lusitano aguarda sorrindo calmamente perante a sabedoria daquele que sabe o que o espera. Observo-o com ansiedade, porque quero chegar mais perto e dizer-lhe que o vou guiar, mas ainda não posso. Do outro lado, a Pirata e o seu clã esperam em silêncio. Talvez nenhum deles possa ver a luz do dia, mas ela observa-me com atenção. O sorriso desafiador é permanente naquele rosto alvo, e no olhar cinzento cintila uma miríade de possibilidades que eu nunca consegui domar. Vais ser sempre melhor do que eu, Capitã. Miranda é diferente. No seu vestido encarnado e com um pássaro poisado placidamente no seu dedo, ainda espera por mim, quem sabe por quanto tempo mais, e o seu rosto reflecte ainda o anseio pela Liberdade e pela paixão que a domou, e que parece não poder ser levantada. Todos esperam por mim.E, no entanto, eu não sei que passo tomar. Para onde quero ir a bússola não pode indicar enquanto não parar de girar.Vejo então o olhar brilhante que me ilumina das sombras. O riso travesso montado no carcaju. E a mão forte, ainda que delicada, que se estende na minha direcção.Os três avançam, o passo forte e determinado que apenas a Pirata parece querer relembrar-me através da curvatura inteligente dos seus lábios. O que diria Gwyndolin se me visse agora? Não suporto nem imaginar; o rosto pequenino enrugado de incredulidade. Afinal, o que aconteceu à tua espada e à tua voz, perguntar-me-ia. Tu eras insuportavelmente teimosa, acrescentaria.
Os três Guardiães aproximam-se de mim, mas é Ela quem me dá a mão e me ensina o caminho. Mas esta é uma tarefa minha, apesar de tudo. Todos dependem dela, mas a batalha é só minha.
Ao chegar à orla da clareira onde nos reunimos, o meu passo detém-se.
Procura a Bruxa e a Aldeã, diz-me a Guardiã da Floresta. Elas contam-te a sua história. Elas mostram-te o caminho.
Olho em meu redor. Os meus olhos poisam, previsivelmente, no Guerreiro e na Pirata. O futuro e o passado caminham de mãos dadas.
Mas entre eles, mais difícil de percorrer, está o presente. E esse só o próprio pode conquistar. O presente. É. Meu.Volto-me para as sombras que envolvem a Floresta. Não quero, nem posso querer, ter alternativa. Em frente está a resposta.Atrás de mim, a música desvanece-se um pouco à medida que avançando por entre as árvores. Mas não importa. A solidão é apenas uma secura demasiado frágil perante o sopro da música e da presença eterna daqueles que nos impelem na direcção dos sonhos...

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