domingo, 12 de abril de 2009

You. Wish.

As bailarinas rodopiam enquanto a música sobe mais alto e os folhos das saias formam cores em seu redor. Não há nada que as faça parar, porque a música sai da Natureza e inspira-lhes o ser com mais vigor do que as rajadas de vento nos ramos prematuros. A combatente arrancou o coração para que nunca mais lho possam ferir e regressa, pela mão do Corvo, à fogueira que cintila ardentemente. Junto da luz, Olivia aprecia o brilho das botas que a tornam mais fortes, esperando o nascer do dia. E nas sombras, o guerreiro lusitano aguarda sorrindo calmamente perante a sabedoria daquele que sabe o que o espera. Observo-o com ansiedade, porque quero chegar mais perto e dizer-lhe que o vou guiar, mas ainda não posso. Do outro lado, a Pirata e o seu clã esperam em silêncio. Talvez nenhum deles possa ver a luz do dia, mas ela observa-me com atenção. O sorriso desafiador é permanente naquele rosto alvo, e no olhar cinzento cintila uma miríade de possibilidades que eu nunca consegui domar. Vais ser sempre melhor do que eu, Capitã. Miranda é diferente. No seu vestido encarnado e com um pássaro poisado placidamente no seu dedo, ainda espera por mim, quem sabe por quanto tempo mais, e o seu rosto reflecte ainda o anseio pela Liberdade e pela paixão que a domou, e que parece não poder ser levantada. Todos esperam por mim.E, no entanto, eu não sei que passo tomar. Para onde quero ir a bússola não pode indicar enquanto não parar de girar.Vejo então o olhar brilhante que me ilumina das sombras. O riso travesso montado no carcaju. E a mão forte, ainda que delicada, que se estende na minha direcção.Os três avançam, o passo forte e determinado que apenas a Pirata parece querer relembrar-me através da curvatura inteligente dos seus lábios. O que diria Gwyndolin se me visse agora? Não suporto nem imaginar; o rosto pequenino enrugado de incredulidade. Afinal, o que aconteceu à tua espada e à tua voz, perguntar-me-ia. Tu eras insuportavelmente teimosa, acrescentaria.
Os três Guardiães aproximam-se de mim, mas é Ela quem me dá a mão e me ensina o caminho. Mas esta é uma tarefa minha, apesar de tudo. Todos dependem dela, mas a batalha é só minha.
Ao chegar à orla da clareira onde nos reunimos, o meu passo detém-se.
Procura a Bruxa e a Aldeã, diz-me a Guardiã da Floresta. Elas contam-te a sua história. Elas mostram-te o caminho.
Olho em meu redor. Os meus olhos poisam, previsivelmente, no Guerreiro e na Pirata. O futuro e o passado caminham de mãos dadas.
Mas entre eles, mais difícil de percorrer, está o presente. E esse só o próprio pode conquistar. O presente. É. Meu.Volto-me para as sombras que envolvem a Floresta. Não quero, nem posso querer, ter alternativa. Em frente está a resposta.Atrás de mim, a música desvanece-se um pouco à medida que avançando por entre as árvores. Mas não importa. A solidão é apenas uma secura demasiado frágil perante o sopro da música e da presença eterna daqueles que nos impelem na direcção dos sonhos...

quinta-feira, 19 de março de 2009

Lya

Bem sei que este não é post que eu devia estar a fazer, mas sim um desafio semelhante ao que propus ao Samuel. No entanto, como ainda não tive oportunidade para me dedicar a ele, resolvi postar aqui um pequeno (o tamanho é discutível) texto que escrevi em 2006. Este não foi corrigido, portanto, queiram perdoar qualquer erro que possa surgir. Devo também acrescentar que eu própria noto bem o estilo de escrita que tinha na altura, certamente diferente (ainda que não muito) daquele que tenho agora.



O ruído de passos cessou a poucos metros de si, restituindo o silêncio sepulcral àquele local escondido por entre verdes folhagens.
Adain não virou a cabeça para ver quem era. Queria estar sozinho, e, fosse quem fosse que ali fora, certamente saberia isso muito bem. De qualquer forma, mesmo que o seu corpo quisesse reagir instintivamente, não teria tido sucesso. A profunda dor no seu coração extravasara havia muito para o resto do corpo, obliterando todos os seus sentidos, incluindo algumas das reacções básicas mais básicas, como voltar a cabeça ao som de passos.
— Calculei que pudesse encontrar-te aqui.
Adain reconheceu a voz do primo e sentiu uma súbita vontade de lhe gritar. Contudo, a sua conduta sempre conseguira mantê-lo extremamente calmo, mesmo quando as situações não se avizinhavam pacíficas, pelo que se limitou a fechar um pouco mais as mãos, quase imperceptivelmente, continuando tão quieto quanto antes.
— Não devias estar aqui.
— Quero ficar perto dela. — respondeu secamente Adain.
— Ela não quereria que te martirizasses dessa forma.
— O que é que tu sabes sobre ela? Eu é que era marido dela.
Cormack não respondeu de imediato. Suspirou longamente e passou a mão pelo rosto, antes de avançar um pouco para mais perto de Adain.
— Ela era minha amiga. Uma grande amiga. Naturalmente, sei umas coisas sobre ela.
— Vieste aqui para me dizer isso? — perguntou Adain, no seu tom neutro.
— Não — respondeu o outro. — Vim para saber se precisas de alguma coisa, se estás bem. Mas já vi que não. Volta para casa. A tua mãe anda louca à tua procura, ninguém te vê desde o funeral, é melhor voltares e descansares toda a gente.
Adain não respondeu. A seus pés, um pequeno riacho corria placidamente, alguns raios de sol cintilando na superfície azulada. O leve ruído do choque da água nas pequenas pedras da margem, pequenos cardumes de peixinhos no seu caminho tão certo, toda aquela pureza imperturbável do Elemento mais antigo de todos os tempos. Acocorou-se lentamente e esticou o braço com relutância e solenidade, perfurando a lisa superfície da água com a ponta dos dedos. Estava tão fria.
— Ela era tudo isto. — disse, num múrmurio que, noutras cirscunstâncias teria sido inaudível.
Contudo, naquele lugar, tudo parecia querer ouvir os murmúrios de Adain. Estava tudo tão silencioso que dir-se-ia que a Natureza ordenara que parasse tudo em redor, como que temendo que as palavras de Adain se perdessem para sempre. As densas folhagens das verdes árvores, nenhuma se atrevia ao mínimo movimento. Nenhum zumbido ou bater de asas de insectos nas suas sempre tão atinadas rotinas. Nenhum cântico de pássaro. Nenhuma borboleta ou abelha recolhendo o néctar das coloridas flores. Mesmo o riacho parecia dar o seu melhor para que as suas águas fluíssem silenciosamente.
— Ela era tudo isto. — repetiu Adain, ainda com os dedos na água gelada. — O Sol na água, a sua própria frieza. As folhas verdes, as flores vermelhas, púrpura e brancas, todas as cores na Natureza. Esta beleza incomparável, tão quieta mas tão magnífica, e, quando ela quisesse, num breve instante, ficava sombria e irrequieta, mas sempre bonita, como a Natureza.
Cormack escutava atentamente, mas não respondeu. Olhou para a sua direita e, avistando uma montículo de terra firme coberto da mesma erva que cobria o chão, avançou para ele e sentou-se.
— Sentimos todos a falta dela — disse.
— O espírito era todo de Água. — continuou Adain, como se não tivesse ouvido o primo. — Ninguém esperaria outra coisa vinda daqueles grandes olhos…nunca soube que cor deveria atribuir-lhes. Era uma mistura. Tão indefinida e imperscrutável quanto ela conseguia ser, por vezes, quando se esforçava por isso. Mas havia mais, havia muito mais. Uma coisa muito contraditória. Ela era Água, mas também era Fogo. Irónico, sempre achei. Ela sabia ser Fogo. Se lhe apetecesse, era capaz. Mas era um fogo que ardia dentro de mim. Só ela sabia como ateá-lo. Nunca…percebi.
Cormack sorriu.
— Havia quem gostasse de poder dizer o mesmo, Adain. — disse, observando a quietude das folhagens acima da sua cabeça. — Ela contagiava toda a gente com aquela vontade fervorosa de fazer sorrir toda a gente. E, no entanto, ela era a imagem de uma…rapariga normalíssima.
— Era a minha pequena Fada.
— Eras o seu…
— Como é que eu pude? — Adain ergueu-se, bruscamente, interrompendo Cormack, que olhou para ele alarmado.
— A culpa não é tua, as coisas são como são…
— Não!
Adain resfolegava, como quem acabara de ser mordido por um bicho, andando de um lado para o outro. Cormack observava-o no seu passo enervado, sem saber o que dizer ou fazer. Nunca, em vinte e três anos, sonhara sequer com a possibilidade de ver o seu sempre tão calmo e controlado primo ter um ataque de nervos.
— Adain, acalma-te. Todos nós compreendemos que te…
— Não! — gritou Adain, uma vez mais. — Vocês não percebem, ninguém percebe!
— Anda, vamos arranjar-te um copo de whisky ou um calmante. — ordenou Cormack, levantando-se do monte de erva e sacudindo as calças com as palmas das mãos. — A minha irmã traz sempre um ou dois na carteira, certamente que… Adain, pára! Estás a lembrar-me a Lya, quando andava aflitíssima com alguma coisa. Logo tu que tentavas sempre acalma-la, logo que tu que nunca foste de explodir com…
— Agora sou! — bradou Adain, parando em frente a Cormack. — Ela era parte de mim, parte de mim! Ela conseguia animar-me quando eu ficava sério, conseguia fazer-me sentir forte quando colocava a cabeça na curva do meu pescoço, ela…
Cormack olhou-o directamente nos olhos. Brilhavam com uma espécie de fúria contida e Cormack suspeitava que sabia porquê.
— Continua — disse ao primo.
Adain voltou-lhe novamente as costas e fixou o olhar no riacho.
— Eu nunca fui como tu. — disse Adain, num tom de voz mais calmo.
— O que é que queres dizer?
— Nunca tive a tua…capacidade para dizer a coisa certa na hora certa. Eu via como tu tratavas tão bem dela e como ficava animada depois de falar contigo. Isso magoava-me, porque eu sentia que não tinha jeito, não tinha…coragem, não sei, para lhe dizer certas coisas.
— Não precisavas de muito jeito. Toda a gente gosta de se sentir apreciado, toda a gente gosta de se sentir acarinhado, principalmente quando a visão do mundo está meio retorcida.
— Eu não sabia como. Nunca soube exactamente como. Ficava sempre atarantado quando ela se fechava naquele mundo sombrio criado por ela mesma quando estava desiludida ou muito triste.
— Só tinhas de a abraçar e de lhe dizer que, fossem quais fossem os seus erros, ou aquilo a que ela chamava frustrações ou mesmo falhanços…tu gostavas dela, e estavas ali para a proteger, porque ela era a tua princesa.
— Ela não era do tipo frágil. Tinha toda aquela vida, todos aqueles sonhos dentro dela. Ficava triste quando algumas coisas corriam de forma diferente ao que planeara, mas voltava sempre ao normal.
— Eu admirava-a por isso, mas às vezes ficamos cansados de lutar ou de trabalhar e precisamos de algum tipo de mimo. Não são só as crianças pequenas que precisam de se sentir acolhidas. Lya também precisava de ti, e dos amigos, tal como todos nós precisávamos dela. Era forte, sim. Era bastante coragem e destemida — Cormack permitiu-se um risinho enquanto à sua memória afloravam imagens de Lya —, mas era humana. E também temia.
— Como é que eu pude…deixá-la ir…
— Não foi culpa tua.
— …sem lhe dizer, sem lhe mostrar o quanto…Aquele gesto no ar que ela fazia com os dedos quando falava, o rosto dela quando estava adormecida, a forma como ela colocava a cabeça no meu ombro, o riso. A maneira como disparatava quando torrava as refeições na cozinha e a forma como pedia desculpas por estarmos a encomendar novamente pizza…e como em seguida desatava a rir e a troçar de si própria. Como mordia a caneta quando traçava esboços dos seus quadros e… a forma como pegava nos livros e… Só ela conseguia perturbar todas as forças da disciplina que eu tecia à minha volta quando…
— Ela admirava-te, priminho. Todas as manias e todas as coisas que em ti a irritavam profundamente. Mesmo isso ela adorava. — disse Cormack, aproximando-se e colocando um braço sobre os ombros de Adain.
— Eu admirava-a. Tanto. E amava-a ainda mais.
— Eu acredito. Vindo de ti, com essa intensidade, só pode ser verdade.
— Se ao menos eu pudesse ter uma nova vida com ela, só para corrigir todos os erros que cometi…
— Disseste que ela era tudo isto. — lembrou Cormack, enquanto encaminhava o primo para fora daquele pedaço de floresta. — Enquanto falavas, certamente ela ouviu-te. Anda, vamos para casa.
— Já não é a minha casa, sem a Lya ao pé de mim.
— Ela vai estar sempre ao pé de ti, Adain. Nem que alguém tentasse contrariar isso, é uma ligação demasiado forte, que vos une. Vamos descansar. Foi um dia longo.
Cormack afastou Adain de perto do riacho e incitou-o a caminhar calmamente pela erva, em direcção a casa. Atrás de ambos, a Natureza recuperava todos os seus sons, mas era tarde demais para que Adain ou Cormack pudessem ouvir a restolhar das folhagens, o zumbido dos insectos ou o forte correr da água a encher todo aquele lugar colorido.
Um vislumbre de uma larga manga de tecido azul, um gesto de dedos ebúrneos como neve e o curvar deliciado de lábios vermelhos como sangue apareceram e desapareceram no mesmo instante.
Havia toda uma eternidade à sua frente, mas nada seria como as palavras que acabara de ouvir e sentir vindas de Adain. Agora podia descansar.
Não era tarde para Lya.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Postal

O pequeno texto que se segue é a resposta a um desafio de escrita criativa baseado na redacção de um texto a partir de uma imagem previamente sugerida. Neste caso, confesso ter feito alguma "batota" ao preferir uma imagem de Verão à que me tinha sido originalmente sugerida pela Joana (sorry!). Espero, todavia, que o resultado final possa de alguma forma compensar esta pequena infracção.

Quanto ao texto propriamente dito, trata-se de mais uma das minhas habituais "descrições poéticas". Curiosamente, acabei por optar por um cenário mais luminoso e alegre do que me é habitual. Por outro lado, acabou por sair uma coisa mais sentimental e auto-biográfica do que teria desejado, embora espere que, pelo menos, não seja deprimente ou entediante.


A "história" baseia-se vagamente num incidente ocorrido no meu 9º ano, numa tarde de Verão no Choupal, à beira-rio. A Soraia é por isso talvez o retrato poético dessa paixão de então, embora possa (e deva) representar qualquer mulher.





É uma paisagem deserta, secreta, abandonada. Que temos nós que fazer aqui? Estendo o braço a Soraia, tomo-lhe as mãos avidamente. Numa ânsia absurda de te sentir e preservar, no desespero hipotético de poderes já não estar ali.

Desce sobre nós o anúncio do poente, uma promessa de paz. Uma toalha de lume enxuga-lhe a face, um derrame laranja que lhe escorre pelos seios, pelo ventre, pelas pernas. E, de novo, as mãos. Aladas, avulsas. Observo-as distante, espectador atento da sua fúria louca, do seu assalto ao acaso. O acaso...

Dói-me pensá-lo no ocaso estival, neste fim de tarde junto ao mar. O mar imenso que se estende ao infinito, a maresia que me invade as narinas e preenche cada poro do meu ser. Sentamo-nos num banco isolado, esperando uma razão para estarmos ali, e assim permanecemos mudos, em imobilidade perfeita. Mas nada disto está certo... Sabe-o Soraia no murmúrio obscuro de uma oculta sintonia, num incerto apelo ao movimento. É uma voz suave e, todavia, inquestionável. Talvez a voz de um búzio que colhias entretanto...

Até que, felina e selvagem, ergues-te de um salto. Vejo-te fugir pelo areal numa corrida louca e inocente, e o meu olhar persegue-te e mergulha contigo no embalo das ondas. Deusa marinha chapinhando no azul, sereia lustrosa sorrindo no silêncio vespertino. Uma estúpida e insuportável onda de ternura sobe-me pelo corpo, bate-me em cheio na face. Sustenho o sal das lágrimas (há sal bastante no horizonte...).

Levanto-me, enfim, do meu refúgio. Respiro fundo a brisa marinha, procuro ainda desentorpecer um outro músculo mais obstinado. Vigilante desperta, Soraia solta um pequeno grito e estende o braço na minha direcção. Acedo ao seu convite e acelero desajeitadamente pelo areal. Alcanço-a por fim num abraço fluido e, por um momento, fecho os olhos e esqueço tudo à minha volta.

- Tontinho... Eu estou aqui. O que se passa?

A tua voz tão terna e maternal, numa leve repreensão.

- Fecha os olhos. Não digas nada...

Enquanto as minhas mão submersas e unidas em concha se erguem tiritantes sobre o teu rosto e te sagram num baptismo secreto e primordial.
E tu abriste os olhos e sorriste do meu gesto excêntrico e despropositado.
E eu permaneci hirto e ridículo, com as faces coradas e os lábios entreabertos esperando o beijo que não te soube dar.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Escritor Angustiado

ANGST

"You enjoy making people suffer.
Your writing is often poignant and poetic, but be careful not to overdo it.
A little humour or light can transform melodrama into beauty.
You're an angst writer"

Que dizer? É uma generalização, como todas as outras.
Não acho que tenha alguma vocação sado-masoquista, ou que recorra frequentemente ao melodrama. Do mesmo modo, incomoda-me o rótulo de "angustiado" (preferia escritor "cansado", apesar de tudo) pelas conotações que imediatamente evocará à maioria (escritor adolescente com pensamentos suicidas e mau gosto musical). Resumindo: acho que sou demasiado irónico para me encaixar no lote dos "emos".
De resto, sei apenas que não sou um "plot writer" e não tenho vocações de o ser. O "plot", aliás, é quase sempre inexistente no pouco que escrevo, porque sempre privilegiei o trabalho dos aspectos formais e a sonoridade do texto.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

What kind of writer are you?



Uma pequena brincadeira antes de terminar o dia.

Pode dizer-se que concordo, embora naturalmente eu não descure nem a descrição nem o estilo de escrita. Mas é engraçado reconhecer diversos tipos de escritores. Vejam também o género que calhou ao Samu.

Tentem o vosso em: http://www.quizilla.com/quizzes/99775/what-kind-of-writer-are-you

História da Princesa Que Degenerava

Como já todos participámos com as nossas histórias, começa uma nova rodada. Nesta minha segunda vez, resolvi mostrar um capítulo de um conto que comecei a escrever o ano passado, e que se encontra ainda por terminar. A história, contudo, e ao contrário do que sempre me aconteceu, surgiu quase como um todo na mesma hora (no meu segundo dia no Mestrado em BCM). Estava no bar e, de súbito, peguei na caneta e planeei-a quase totalmente. Muito raro em mim, já que nunca sei onde vão parar as minhas histórias.
Apesar de ainda não ter terminado, está um pouco grandinha, de modo que só posso colocar aqui uma pequena parte. A história, tal como indica o título, é sobre uma princesa que definha desde o dia em que algo de muito estranho aconteceu diante de si. Miranda ainda não sabe o que fez, nem sequer sabe que o fez, mas ao saber, quereria voltar atrás?
.
O Lago


Na tarde em que seu pai conversara consigo sobre a urgência do seu casamento, Miranda saiu do Castelo e dirigiu-se ao Jardim. Era livre de o fazer sempre que quisesse, mas dessa vez fez por passar despercebida aos olhos das criadas e da sua ama, e ficou satisfeita ao perceber que o conseguira. Aparentemente, ninguém a vira sair dos seus aposentos e Miranda sentiu pela primeira vez gratidão pela chegada de outro pretendente, pois mantinha toda a gente ocupada e ela pudera sair sem responder a perguntas. Aquele era um dia triste, a julgar pela cor cinzenta do céu. Se alguém a visse naquele momento, apressar-se-iam a detê-la e a tentar convencê-la de que apanharia um resfriado ou que poderia chover ou que seria mais adequado se se ocupasse com qualquer outra coisa. E a Miranda não lhe apetecia mais do que passear pelo Jardim sem ser incomodada. Além disso, se ninguém soubesse onde estava, levaria algum tempo até ser encontrada.
Miranda atravessou o grande portão que separava o Jardim do Castelo e caminhou calmamente, certa de que cada passo que dava a aproximaria mais da acalmia que desejava para o seu coração e espírito. Passo após passo, Miranda avançava, na direcção do coração do Jardim, ouvindo apenas o roçagar do vestido de cetim encarnado nas pernas e o ruído abafado dos seus pés sobre o tapete almofadado de erva viçosa. Em seu redor, nenhum outro som se ouvia. Mas Miranda não se importava. Silencioso ou musical, o seu Jardim era sempre o melhor lugar do Mundo e não havia outro onde se sentisse tão segura e protegida.
Momentos mais tarde, Miranda deteve-se junto de uma macieira. Aproveitando para descansar da caminhada, observou durante instantes o céu taciturno, onde deambulavam, muito lentamente, nuvens brancas. Olhou em redor. Não havia pássaros no céu, nem tão pouco se ouviam os seus habituais cânticos por entre as folhagens das árvores. Também não havia vento que as fizesse balançar. Miranda encostou-se ao tronco, inspirando e expirando o ar lentamente. Imaginou o que diriam aqueles que acreditavam que o Jardim estava intimamente relacionado consigo se a observassem e soubessem o que sentia naquele momento. A Princesa, sentindo-se presa a um destino que alguém escolhera por si, o coração apertado, inquieto, taciturno, passeando no seu Jardim silencioso, imóvel, coberto por um véu pálido e frio. Apesar de achar aquele um quadro triste, Miranda não pôde deixar de sorrir divertida, ainda que tenuemente, ao pensar em quantas mais histórias e paranóias poderiam dali surgir se o contasse a alguém.
Ao fim de algum tempo, afastou-se da macieira e tocou numa das maçãs. Estava tudo em ordem. Os frutos cresciam, as folhas eram verdes e viçosas, o Jardim prosperava. Apenas não manifestava a sua vivacidade, ao contrário do que acontecia nos outros dias. Mas Miranda não estranhava o comportamento estranho do seu Jardim. Havia dias bons e dias menos alegres e, para si própria e para o seu querido Jardim, aquele podia perfeitamente ser um desses dias.
Alisando as saias do vestido com os dedos, Miranda preparou-se para caminhar mais um pouco. Dessa vez, deteve-se apenas junto do Espelho de Prata, o Lago que marcava o coração do Jardim. Sentou-se na margem de pedra e observou o Castelo, situado na direcção poente do Jardim e de onde, àquela distância, ninguém veria não mais do que uma figura indistinta.
Ignorando novamente o Castelo, a Princesa rodou a cabeça e observou o seu reflexo na água cristalina do Lago. Retribuía-lhe o olhar um rosto de contornos graciosos e expressão tranquila, adornado pelos cabelos escuros e compridos herdados do pai, contudo marcado pela profunda e calma melancolia dos olhos cor de azeitona, herdados da mãe. Silenciosa, Miranda desfez o reflexo dos seus olhos passando a ponta do dedo na água fria. Não havia outra alternativa, senão aquela decidida pelo pai. É para seu próprio bem, como dizem todos em seu redor. Então por que não se convence disso? Por que continua a esperar por algo que nunca virá? E, naquele momento, Miranda sentiu-se invadir por uma onda de temor, não só pela tristeza que o seu coração extravasava, mas também pela força que crescia dentro de si e que Miranda reprimia sempre. Agora ela jorrava, e Miranda não podia detê-la. Queria gritar, fugir, fazer alguma coisa antes de sucumbir às mãos daqueles que a pretendiam dominar.
Quando Miranda voltou a olhar para a água, o seu reflexo estava novamente recomposto, mas havia uma pequena diferença no rosto que a observa, algo que o tornava diferente, apesar de ser gémeo do seu. Os olhos. Não eram mais cor de azeitona e havia uma espécie de faísca dentro de cada um, rodopiando incessantemente e exercendo em si um efeito hipnotizador. De súbito, o rosto líquido ficou parcialmente desfeito pelo raio de sol que incidiu na água. Miranda estremeceu ao sentir o cálido abraço do Sol e levantou o queixo na direcção do céu, onde o astro vencia o cinzento frio daquela tarde. Algures ali perto soou o pio de uma ave. O Jardim parecia aperceber-se só então da presença da sua Princesa, oferecendo-lhe, tal como antes, as suas cores, os seus perfumes, a sua beleza. Sem nada entender, Miranda ergueu-se e olhou em redor, indecisa sobre o que pensar. Assim se quedou durante algum tempo, fixando atentamente o Jardim que a envolvia e que lhe acalmava o espírito.
Quando conseguiu dominar a respiração e a força que quase a subjugara voltou-se novamente para o Lago, mas o seu reflexo desaparecera. Em seu lugar, surgira um cavalo negro, de olhos tão negros e profundos quanto os do cavaleiro que o montava. Este observava a Princesa atentamente, o cabelo e a capa negros esvoaçando com um vento que soprava de lado nenhum e que não se fazia sentir em redor.
Quase no mesmo instante em que o vira, Miranda sentiu o seu coração apertado e arrancado do seu peito por uma mão invisível. O olhar do cavaleiro abraçava-a numa escuridão profunda, enquanto uma dor lancinante a fazia perder a sensibilidade ao chão que pisava. Quando Miranda se sentiu cair, o cavalo empinou as patas dianteiras e relinchou ferozmente, desaparecendo em pleno ar, juntamente com o cavaleiro. Antes dos seus olhos se fecharem, Miranda ouviu um grito agudo e desumano, ao mesmo tempo que vislumbrava uma figura radiosa e ofuscante descendo sobre si…

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Quem diz que chegar atrasado é ter estilo anda bem enganado..

Finalmente estou aqui, com alguma coisa para mostrar.. Se há uma lição que já tirei de participar neste blog, é que há uma correlação directa entre o nível de aborrecimento numa aula, e a vontade que me dá pra escrever. Obrigada aos meus colegas que apresentaram, apesar de nem saber sobre o que é que eles falaram.
Como foi o primeiro desafio, e não tinha ponta por onde lhe pegar, acabei por escrever sobre eventos reais. Portanto o que vão ler é baseado na realidade, por mais estapafúrdio que vos pareça. :D

A cifra dentro do código no segredo da fórmula de Coimbra


Todos nós sabemos como são estas aventuras. Todos nós conhecemos o Código DaVinci, o Tesouro, o Indiana Jones, e muitos usam a expressão viver a experiência para descrever a sensação que elas evocam.
Mas eu posso-vos dizer que não viveram experiência nenhuma, não senhor. Porquê? Porque viver a experiência foi o que aconteceu comigo. Passei por uma aventura digna de qualquer caça ao tesouro e há uma grande diferença entre ler ou assistir, e estar lá, a olhar em volta com as pistas na mão, sentindo um crescendo de entusiasmo que se espalha pelo corpo e se desvanece em arrepios pela espinha. O latejar da pulsação nos ouvidos quando alguém descobre a cifra e a sensação de um segredo maior que todos nós, contido a custo, enquanto passamos por transeuntes na ignorância, a caminho da nova etapa ou do desafio final. Querem saber como é? Eu conto:
É óbvio que não acordei naquela manhã com nenhum pressentimento ou sensação estranha, e o dia afigurava-se perfeitamente banal. Só à tarde, quando entrei no Departamento de Botânica da Universidade, é que notei algo de estranho. Passei pelo Tiago e pela Joana no corredor, agitados com alguma coisa de tal forma que se sobressaltaram com o meu cumprimento. Logo a seguir o Tiago olhou em volta e pegou no meu braço, guiando-me para longe de ouvidos curiosos. Por momentos pensei que me fosse interrogar, tanta era a determinação no seu olhar, mas o que ele fez foi contar-me o que perdera até à altura. O pequeno livro antigo que encontrara numa gruta na Mata, atado a um estranho cilindro fino de ferro, ocre com a ferrugem; de como uma série de números lá dentro o intrigara e como ele, o Carlos R. e o Pedro decifraram uma mensagem lá contida; como essa mensagem os levou à Via Latina, onde o Pedro subiu a uma das estátuas e usou o cilindro de ferro para revelar um pequeno nicho.
Nesta altura pensei, como todos pensariam, que ele me estava a pregar uma partida. Desde quando é que se encontram pistas e segredos nos nossos dias? Foi com cepticismo que ouvi o resto da história. O pequeno nicho na Via escondia uma nova pista dentro de uma vieira coberta de líquenes e o grupo, entretanto aumentado com a chegada da Joana e do Carlos M., voltou ao Departamento. Agora a Joana e o Tiago estavam à espera dos outros, que tinham subido até à sala de computadores para consultar novos códigos. Das duas, uma: ou estes dois eram bons actores, ou então algo verdadeiramente invulgar se estava a passar, e eu hesitava entre as duas quando uma comoção no corredor atraiu a nossa atenção, o som de passos desconcertados descendo a escadaria à pressa. A expressão ansiosa e exultante nos rostos do Pedro e dos Carlos, a maneira como quase gritaram num sussurro "Descobrimos!" e nos arrastaram para fora do edifício não podiam ser fabricadas, e o meu cepticismo desvaneceu-se aí, sendo substituído pelo burburinho abafado da adrenalina a aumentar.
Embarquei com eles na demanda da próxima pista. Um tosco poema frisava a palavra quartzo, uma mulher poderosa, fé, e Tiago insistia que quartzo indicava iluminação e que todo o poema apontava para a Sé Nova visto que para além de uma igreja, fora em tempos um colégio. Chegados lá separámo-nos para poupar tempo nas buscas, mas passada uma boa meia hora ainda estávamos de mãos vazias, não que eu me lembre bem do tempo passar, tal era o entusiasmo. Lembro-me só das conversas murmuradas, das perguntas e do escrutínio rigoroso que fiz ao altar da Senhora da Graça.
Infelizmente foi nesta parte que o tapete foi puxado e nós caímos redondos no chão. Tiago tinha recorrido à ajuda do sacristão, numa tentativa de descobrir qualquer tradição ou história que nos ajudasse. A resposta do homem foi um balde de água fria:
“Isso é sobre um jogo de pistas? Ah, devem ter sido os escuteiros que estiveram cá no fim de semana.”
A desilusão estampada no rosto de cada um de nós deve ter sido ou cómica, ou perturbadora, já que o sacristão demorou menos de um segundo a virar-nos as costas e ir-se embora. Ficámos uns momentos parados, a olhar uns para os outros, procurando uma negação, mas encontrando apenas resignação e desânimo. Em todas as faces menos numa. A do Pedro espelhava frustração e teimosia.
“Isto é impossível ter sido feito por putos! O homem está a fazer confusão, de certeza.”
Permaneci calada, enquanto os outros discutiam entre si. A insistência de Pedro mantinha a chama da aventura acesa em alguns de nós, mas não o suficiente. Mesmo assim conseguiu que Carlos R. o acompanha-se à Porta Férrea, já que a alternativa à Sé era Minerva, uma mulher poderosa e aliada ao conhecimento, palavra essa muitas vezes associada à iluminação. Joana decidiu regressar a casa e Tiago tinha uma aula a começar, pelo que o grupo se reduziu a quatro, com o tempo de espera pelo Pedro e pelo Carlos R. passado a recontar o início da tarde, que eu tinha perdido. Talvez por estarmos apenas dois, ou por causa da dúvida dos escuteiros, nessa altura lembro-me que a euforia quase desapareceu. Provavelmente por isso não estávamos à espera que os outros encontrassem uma nova pista, mas foi precisamente o que aconteceu: atrás de um dos rebordos no corredor da Porta Férrea estava um quartzo envolvido numa tira de couro velha coberta de números. E estávamos de volta à acção.
Desta vez fiz parte do grupo que decifrou o código, o que serviu apenas para provar que não tenho jeito nenhum para cifras. É triste, mas é verdade, e tudo o que fiz foi deixá-los usar o meu portátil, ficando a vê-los trabalhar e sentindo-me a modos que inútil. O meu contributo resumiu-se a procurar nos versos d'Os Lusíadas pelas letras indicadas, assim que chegámos à conclusão que a resposta estava nos cantos dessa epopeia.
“Andamos em busca do Poder.” foi a frase que decifrámos. Carlos M. inclinou-se do outro lado da mesa.
“É só isso?” perguntou.
“Parece que sim. O que raio quer dizer?”
“Poder é conhecimento...” Carlos M. sugeriu. Era uma boa ideia. Mas uma ideia que me fez chegar a uma conclusão.
“Se calhar acabou. Se calhar é a última pista.”
“Não é nada.” Carlos R. discordava.
“Achas? Então tens alguma ideia? Isto é aqui que acaba.” Foi a resposta do outro Carlos, e por um momento era uma disputa entre o lado carlos da mesa.
“Eu acho que o Carlos tem razão.” disse, apontando para o M..
“Não, não--”
“Sim, olha!” interrompeu ele “Conhecimento é Poder, e o que é que nós estamos aqui a fazer? Isto é uma universidade, uma fonte de conhecimento.”
“Verdade!” concordei “Nós que estamos aqui, estamos aqui para aprender, pelo conhecimento logo, andamos à procura do Poder.”
Este nosso argumento era sólido. Nem sequer pensei no pormenor de não haver tesouro com este desfecho, só o facto de termos chegado ao fim fez todo o percurso valer a pena. A viagem é tão importante como o destino e este destino, para mim, fazia sentido. Envolvida que estava na discussão, não reparei que o Pedro se mantivera calado no seu canto, durante toda a conversa. Só quando voltei a ouvir a sua voz é que notei que ele não falava há já algum tempo.
“Eles têm razão. Este é o fim.”
“Não é nada! Não faz sentido que seja o fim--” Carlos R. não cedia.
“É o fim, tenho a certeza.” Pedro voltou a afirmar calmamente.
“Então diz-me como podes ter tanta certeza?”
E aí caiu a bomba.
“Tenho a certeza, porque fui eu que fiz isto.”
Durante uns segundos a única coisa que fizemos foi olhar para o Pedro com cara de idiotas.
“O quê?”
“Fui eu.” voltou a dizer “Andamos em busca do Poder. Poder é um anagrama de Pedro. Vocês andaram à minha procura.”
Esta novidade não foi suficiente para nos acordar do estupor que nos prendia.
“E isto aqui..” continuou, puxando do pequeno livrinho que começara tudo e espalmando-o de folhas para baixo na mesa “Estas linhas na capa, se as passarem para um papel, formam o meu último nome.”
E procedeu a demonstrar-nos o que dizia. Seguiu-se uma corrida às perguntas:
“Mas..mas isso é velho!”
“Café faz maravilhas ao papel.”
“Mas não cheira!”
“Terra. Isso e o facto de que eu fiz o livro há uma mês, e ele tem estado na gruta há uma semana.”
“E as pistas?”
“Tudo feito. Cera, conchas velhas..”
“Então e a barra de ferro? Desculpa lá, mas não consegues fazer uma barra à medida e envelhecer o ferro.”
Pedro, que até aí mantivera um ar sério, deixou que um sorriso matreiro lhe aparecesse nos lábios.
“Ah, isso é fácil.”
E perante os nosso olhos inclinou-se para o lado, estendendo o braço para baixo entre a mesa e a janela alta, fez um pouco de força e regressou com um ferro exactamente igual ao nosso, o sorriso estendendo-se até mostrar os dentes. Era um ferrolho das janelas, logo uma barra de ferro com mais de 150 anos à vontade.
“Não foi preciso fazer à medida porque não havia nicho nenhum... Se bem se lembram, fui eu que subi à estátua.” rematou ele, fazendo as peças encaixarem nas nossas cabeças.
Não sei se foi o tempo todo que perdemos numa partida, se foi o culminar de toda a emoção daquela tarde, ou se foi, simplesmente, o termos sido enganados por um ferrolho... O que quer que fosse, desatei a rir naquela altura, enquanto que um Carlos permanecia chocado, e o outro abanava a cabeça, incrédulo.
É claro que uma parte de mim ficou desiludida e outra parte algo chateada, mas em retrospectiva, o facto de ter sido tudo um embuste não diminui o quanto me diverti naquela tarde, não anula uma experiência que aposto que muito poucas pessoas alguma vez passaram, e só me faz reconhecer que não importa o que julgamos que sabemos, há sempre algum génio louco que nos vai surpreender.

----~***~----

E aí tá. Ainda tenho a última pista algures no meu quarto. Alguns pormenores não estão correctos, visto não me lembrar bem das partes que não assisti, mas foi basicamente isto. Talvez para a próxima conte como uma turma conseguiu pôr uma escola em pânico por causa de extraterrestres...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Em breve

Olá a todos.
Antes de mais, ainda que com algum atraso, um Bom Ano Novo (sim, já o tinha desejado antes).
Venho dizer-vos que, apesar do nosso blog andar paradinho, nos bastidores há imensas conversas sobre pô-lo de novo no activo. Nunca é um estado muito eficiente, uma vez que os três fundadores têm imensa coisa para fazer, mas não nos esquecemos do nosso cantinho.
Assim, àqueles que nos seguem e não só, nada temam. O blog apresentará novos textos muito breve (concretamente, o mais tardar a próxima semana), mesmo que isso implica fugir um pouco às regras que tínhamos estabelecido inicialmente.
Já agora, fica o pedido de que surjam mais comentários, não só daqueles que nos seguem, como também dos três responsáveis.


Os meus cumprimentos (e algumas larguras, porque não?).